Melasma

O melasma é doença pigmentar adquirida que se caracteriza por manchas escuras em áreas expostas ao sol, como face, colo e braços. Afeta principalmente as mulheres em idade reprodutiva e com tons mais escuros de pele, mas os homens podem ser acometidos também.

Os fatores de risco para o desenvolvimento do melasma são: gravidez, uso de anticoncepcionais, doenças da tireóide, predisposição genética, exposição solar, uso de alguns cosméticos e o uso de medicamentos, como, por exemplo, a fenitoína.

Não se sabe bem a causa do melasma, mas há grande diferença entre a pele normal e a pele doente. Há aumento das células que produzem a melanina, da vascularização, das alterações crônicas causadas pelo sol e aumento dos receptores de hormônios femininos.

Por ser doença com tantos fatores causais, seu tratamento continua um desafio. O pilar do tratamento consiste na proteção solar, seja através do uso de fotoprotetores  ou através do uso de fatores de barreira, como chapéus. O paciente deve ser aconselhado a se proteger, uma vez que é clara a influência do sol. O melasma tende a melhorar no inverno e a piorar nos meses de verão. Além disso, mesmo após clareamento satisfatório, pode haver retorno das manchas com a exposição solar crônica ou mesmo que seja de forma intermitente.

Podem ser utilizados clareadores, como a hidroquinona, que continua sendo o medicamento mais ativo no tratamento do melasma. É utilizada por 2 a 4 meses e geralmente é mais eficaz se associada a outros tópicos, como o ácido retinóico. Outros ativos foram desenvolvidos como alternativa à hidroquinona: vitamina C, ácido azeláico, ácido kójico e ácido tranexâmico.

Os peelings superficiais, como os de ácido retinóico ou de Jessner, podem acelerar o clareamento do melasma. Geralmente são realizadas de 3 a 10 sessões, com intervalos semanais ou quinzenais. Há descamação leve da face e, no período de recuperação, são utilizados cremes hidratantes e protetores solares.

Um método alternativo para as manchas mais resistentes é o microagulhamento que consiste no uso de um rolo de polietileno encravado com fileiras de agulhas de aço inoxidável e estéreis. O procedimento é realizado sob anestesia tópica, sendo bastante tolerável. Podem ser aplicados após o microagulhamento, alguns clareadores, como o ácido tranexâmico, vitamina C e o peeling de ácido retinóico para aumentar a efetividade do tratamento. Não exige afastamento do trabalho.

O tratamento a laser tem sido utilizado nos melasmas resistentes ao tratamento tradicional. Recentemente, foi introduzido o laser Q-swiched (Harmony-Elektra) com resultados promissores, uma vez que tem como alvo as células mais profundas da pele. Não produz inflamação superficial e pode ser utilizado em peles mais escuras. O médico deve sempre decidir qual laser será utilizado, pois os ablativos podem levar a piora das manchas. O laser Harmony pode ser utilizado para fazer drug delivery, permitindo que medicamentos como a vitamina C ou ácido tranêxâmico sejam entregues nas camadas mais profundas da pele.

O melasma é doença cosmética, mas pode levar a séria insatisfação com a autoimagem e a problemas psicológicos. O objetivo do tratamento é estabilizar a doença, pois não há cura definitiva, de forma que o paciente deve ser esclarecido quanto à cronicidade da doença, sobre a necessidade da proteção solar e do uso de clareadores na manutenção.